quarta-feira, 18 de abril de 2012

Chapeuzinho Amarelo

    

 "A história é uma releitura do também clássico Chapeuzinho Vermelho. Só que desta vez não há vovós nem caçadores. Chapeuzinho é uma bela menina que sofre de um mal terrível: sente medo do medo. Enfrentando o desconhecido - o lobo -, ela supera medos, inseguranças e descobre a alegria de viver. De uma maneira lúdica, Chico Buarque trata com maestria dos nossos medos. E quem não tem medo de alguma coisa? E o mais importante: o autor ensina as crianças a como superar as fobias. Ao final, Chapeuzinho transforma o medo em companheiro e o lobo, pobre lobo, vira bolo."




Chapeuzinho Amarelo

Era Chapeuzinho Amarelo.
Amarelada de tanto medo.
Tinha medo de tudo,
aquela Chapeuzinho.
Já não ria.
Em festa, não aparecia.
Não subia escada
nem descia.
Não estava resfriada
mas tossia.
Ouvia conto de fada
e estremecia.
Não brincava mais de nada,
nem de amarelinha.






Tinha medo de trovão. 
Minhoca, pra ela, era cobra. 
E nunca apanhava sol 
Porque tinha medo de sombra. 
Não ia pra fora pra não se sujar. 
Não tomava sopa pra não ensopar.
Não tomava banho pra não descolar.
Não falava nada pra não engasgar. 
Não ficava em pé com medo de cair. 
Então vivia parada, 
deitada, mas sem dormir, 
com medo de pesadelo

.
E de todos os medos que tinha 
o medo mais que medonho 
era o medo do tal do LOBO. 
Um LOBO que nunca se via, 
que morava lá pra longe, 
do outro lado da montanha, 
num buraco da Alemanha, 
cheio de teia de aranha, 
numa terra tão estranha, 
que vai ver que o tal do LOBO 
nem existia.
Mesmo assim a Chapeuzinho 
Tinha cada vez mais medo 
do medo do medo do medo 
de um dia encontrar um LOBO. 
Um lobo que não existia.
E Chapeuzinho Amarelo, 
de tanto pensar no LOBO, 
de tanto sonhar com LOBO, 
de tanto esperar o LOBO, 
um dia topou com ele 
que era assim: 
carão de LOBO, 
olhão de LOBO, 
jeitão de LOBO 
e principalmente um bocão 
tão grande que era capaz 
de comer duas avós, 
um caçador, 
rei, princesa, 
sete panelas de arroz 
e um chapéu 
de sobremesa.
Mas o engraçado é que, 
assim que encontrou o LOBO, 
a Chapeuzinho Amarelo 
foi perdendo aquele medo, 
o medo do medo do medo 
de um dia encontrar um LOBO. 
Foi passando aquele medo 
do medo que tinha do LOBO. 
Foi ficando só com um pouco 
de medo daquele lobo. 
Depois acabou o medo 
e ela ficou só com o lobo. 

O lobo ficou chateado 
de ver aquela menina 
olhando pra cara dele, 
só que sem o medo dele. 
Ficou mesmo envergonhado, 
triste, murcho e branco azedo, 
porque um lobo, tirado o medo, 
É um arremedo de lobo 
É feito um lobo sem pelo 
Lobo pelado.

O lobo ficou chateado. 
E ele gritou: sou um LOBO! 
Mas a Chapeuzinho, nada!. 
E ele gritou: sou um LOBO! 
Chapeuzinho deu risada. 
E ele berrou: Eu sou um LOBO!!! 
Chapeuzinho, já meio enjoada, 
com vontade de brincar 
de outra coisa. 
Ele então gritou bem forte 
aquele seu nome de LOBO 
umas vinte e cinco vezes, 
que era pro medo ir voltando 
e a menininha saber 
com quem não estava falando:
LO-BO- LO-BO- LO-BO- LO-BO- LO-BO- LO-BO- LO-BO- LO-BO- LO-BO- LO-BO- LO
Aí, 
Chapeuzinho encheu e disse : 
"Pára assim! Agora! Já! 
Do jeito que você tá!" 
E o lobo parado assim 
do jeito que o lobo estava 
já não era mais um LO-BO 
Era um BO-LO. 
Um bolo de lobo fofo, 
tremendo que nem pudim,
com medo da Chapeuzim. 
Com medo de ser comido 
com vela e tudo, inteirim. 

LO-BO-LO-BO
Chapeuzinho não comeu 
aquele bolo de lobo, 
porque sempre preferiu 
de chocolate. 
Aliás, ela agora, come de tudo, 
menos sola de sapato. 
Não tem mais medo de chuva 
nem foge de carrapato. 
Cai, levanta, se machuca, 
vai à praia, entra no mato, 
trepa em árvore rouba fruta, 
depois joga amarelinha 
com o primo da vizinha 
com a filha do jornaleiro 
com a sobrinha da madrinha 
e o neto do sapateiro.
Mesmo quando está sozinha, 
inventa uma brincadeira. 
E transforma 
em companheiro 
cada medo que ela tinha: 
o raio virou orrái, 
barata é tabará, 
a bruxa virou xabru 
e o diabo bodiá. 

FIM

Ah! Outros companheiros da Chapeuzinho Amarelo: 
O Gãodra, a Jacoru, o Barão-tu, o Pão Bichopa,
e todos os trosmons.

Chico Buarque; Lançado em 1979. Em 1997,  foi relançado com ilustrações do chargista e caricaturista Ziraldo

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Os Ratinhos Desobedientes

O ratinho e a ratinha eram dois irmãos que viviam com sua mãe numa toca, em uma fazenda. Ali estavam quentes e abrigados. Sua mamãe dava-lhes todo alimento de que necessitavam e não tinham nada com que se preocupar.

Nenhum dos dois gostava quando a sua mãezinha os mandava dormir, e obedeciam sempre contrariados. Numa bela noite, saíram à procura de seus amigos; as estrelas brilhavam no céu e era muito agradável estar ao ar livre!

Por mais voltas que dessem, não encontraram nenhum de seus amigos; esses, é claro, dormiam um soninho descansado.

Continuaram andando, andando, até perceber que se tinham afastado muito de sua casa; não conheciam a paisagem que os rodeava. Sentiram medo porque o vento começou a uivar e a escuridão tornava-se ameaçadora.

Abraçaram-se um ao outro, e, de repente, ouviram um ruído. Estremeceram espantados. Seria um gato? O tempo parecia ter parado e o responsável pelos ruídos aproximava-se pouco a pouco. Começaram a bater os dentes de medo, incapazes de fazer qualquer movimento. Sentiam que tinha chegado a sua última hora, já que certamente se tratava do seu mais aguerrido inimigo: o gato.

Mas, afinal, tudo acabou bem. A mãe saíra à procura deles e tinha sido ela quem havia feito o barulho. Os dois ratinhos regressaram a casa muito contentes. Haviam passado um mau bocado e não voltariam a repetir a façanha. Não há nada como a nossa casa. Não acha que tenho razão, amiguinho?

O gato, o galo e o ratinho


Um ratinho vivia num buraco com sua mãe, depois de sair sozinho pela primeira vez, contou a ela:

    - Mãe, você não imagina os bichos estranhos que encontrei!
    Um era bonito e delicado, tinha um pêlo muito macio e um rabo elegante, um rabo que se movia formando ondas.
    O outro era um monstro horrível! No alto da cabeça e debaixo do queixo ele tinha pedaços de carne crua, que balançavam quando ele andava. De repente os lados do corpo dele se sacudiram e ele deu um grito apavorante. Fiquei com tanto medo que fugi correndo, bem na hora que ia conversar um pouco com o simpático.
    - Ah, meu filho! – respondeu a mãe. – Esse seu monstro era uma ave inofensiva; o outro era um gato feroz, que num segundo teria te devorado.
Moral: As aparências enganam.

A Lebre e a Tartaruga


A lebre vivia a se gabar de que era o mais veloz de todos os animais. Até o dia em que encontrou a tartaruga.
– Eu tenho certeza de que, se apostarmos uma corrida, serei a vencedora – desafiou a tartaruga.
A lebre caiu na gargalhada.
– Uma corrida? Eu e você? Essa é boa!
– Por acaso você está com medo de perder? – perguntou a tartaruga.
– É mais fácil um leão cacarejar do que eu perder uma corrida para você – respondeu a lebre.
No dia seguinte a raposa foi escolhida para ser a juíza da prova. Bastou dar o sinal da largada para a lebre disparar na frente a toda velocidade. A tartaruga não se abalou e continuou na disputa. A lebre estava tão certa da vitória que resolveu tirar uma soneca.
"Se aquela molenga passar na minha frente, é só correr um pouco que eu a ultrapasso" – pensou.
A lebre dormiu tanto que não percebeu quando a tartaruga, em sua marcha vagarosa e constante, passou. Quando acordou, continuou a correr com ares de vencedora. Mas, para sua surpresa, a tartaruga, que não descansara um só minuto, cruzou a linha de chegada em primeiro lugar.
Desse dia em diante, a lebre tornou-se o alvo das chacotas da floresta.
Quando dizia que era o animal mais veloz, todos lembravam-na de uma certa tartaruga...

Moral da história: Devagar se vai ao longe!

domingo, 15 de janeiro de 2012

Chapeuzinho Vermelho

Uma das histórias mais pedidas pelas crianças é a boa e velha história da Chapeuzinho Vermelho, mesmo estando tremendamente farta de ouví-la e contá-la, lá vai!
Chapeuzinho Vermelho
Era uma vez uma menina chamada Chapeuzinho Vermelho, que tinha esse apelido pois desde pequenina gostava de usar chapéus e capas desta cor.
Um dia, sua mãe pediu:
- Querida, sua avó está doente, por isso preparei aqueles doces, biscoitos, pãezinhos e frutas que estão na cestinha. Você poderia levar à casa dela?
cestinha na mesa
- Claro, mamãe. A casa da vovó é bem pertinho!
- Mas, tome muito cuidado. Não converse com estranhos, não diga para onde vai, nem pare para nada. Vá pela estrada do rio, pois ouvi dizer que tem um lobo muito mau na estrada da floresta, devorando quem passa por lá.
- Está bem, mamãe, vou pela estrada do rio, e faço tudo direitinho!
E assim foi. Ou quase, pois a menina foi juntando flores no cesto para a vovó, e se distraiu com as borboletas, saindo do caminho do rio, sem perceber.
Cantando e juntando flores, Chapeuzinho Vermelho nem reparou como o lobo estava perto...
lobo escondido atr·s da ·rvore
Ela nunca tinha visto um lobo antes, menos ainda um lobo mau. Levou um susto quando ouviu:
- Onde vai, linda menina?
lobo rindo
- Vou à casa da vovó, que mora na primeira casa bem depois da curva do rio. E você, quem é?
O lobo respondeu:
- Sou um anjo da floresta, e estou aqui para preteger criancinhas como você.
- Ah! Que bom! Minha mãe disse para não conversar com estranhos, e também disse que tem um lobo mau andando por aqui.
- Que nada - respondeu o lobo - pode seguir tranqüila, que vou na frente retirando todo perigo que houver no caminho. Sempre ajuda conversar com o anjo da floresta.
- Muito obrigada, seu anjo. Assim, mamãe nem precisa saber que errei o caminho, sem querer.
E o lobo respondeu:
- Este será nosso segredo para sempre...
E saiu correndo na frente, rindo e pensando:
lobo correndo
(Aquela idiota não sabe de nada: vou jantar a vovozinha dela e ter a netinha de sobremesa ... Uhmmm! Que delícia!)
Chegando à casa da vovó, Chapeuzinho bateu na porta:
- Vovó, sou eu, Chapeuzinho Vermelho!
- Pode entrar, minha netinha. Puxe o trinco, que a porta abre.
A menina pensou que a avó estivesse muito doente mesmo, para nem se levantar e abrir a porta. E falando com aquela voz tão estranha...
lobo disfarçado de vovó
Chegou até a cama e viu que a vovó estava mesmo muito doente. Se não fosse a touquinha da vovó, os óculos da vovó, a colcha e a cama da vovó, ela pensaria que nem era a avó dela.
- Eu trouxe estas flores e os docinhos que a mamãe preparou. Quero que fique boa logo, vovó, e volte a ter sua voz de sempre.
- Obridada, minha netinha (disse o lobo, disfarçando a voz de trovão).
Chapeuzinho não se conteve de curiosidade, e perguntou:
- Vovó, a senhora está tão diferente: por que esses olhos tão grandes?
- É prá te olhar melhor, minha netinha.
- Mas, vovó, por que esse nariz tão grande?
- É prá te cheirar melhor, minha netinha.
- Mas, vovó, por que essas mãos tão grandes?
- São para te acariciar melhor, minha netinha.
(A essa altura, o lobo já estava achando a brincadeira sem graça, querendo comer logo sua sobremesa. Aquela menina não parava de perguntar...)
- Mas, vovó, por que essa boca tão grande?
- Quer mesmo saber? É prá te comer!!!!
lobo comilão
- Uai! Socorro! É o lobo!
A menina saiu correndo e gritando, com o lobo correndo bem atrás dela, pertinho, quase conseguindo pegar.
Por sorte, um grupo de caçadores ia passando por ali bem na hora, e seus gritos chamaram sua atenção.
Ouviu-se um tiro, e o lobo caiu no chão, a um palmo da menina.
Todos já iam comemorar, quando Chapeuzinho falou:
- Acho que o lobo devorou minha avozinha.
caçador- Não se desespere, pequenina. Alguns lobos desta espécie engolem seu jantar inteirinho, sem ao menos mastigar. Acho que estou vendo movimento em sua barriga, vamos ver...
Com um enorme facão, o caçador abriu a barriga do lobo de cima abaixo, e de lá tirou a vovó inteirinha, vivinha.
- Viva! Vovó!
E todos comemoraram a liberdade conquistada, até mesmo a vovó, que já não se lembrava mais de estar doente, caiu na farra.
vovó de skateChapeuzinho dançando
"O lobo mau já morreu. Agora tudo tem festa: posso caçar borboletas, posso brincar na floresta."
FIM

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Dona Baratinha

Sem dúvidas... Todas as crianças amam essa história, tão engraçada que já virou peça teatral de muitas escolas por aí!





ra uma vez uma linda Baratinha.


Gostava de tudo muito limpo e arrumado.


   

Um belo dia, Dona Baratinha varria o jardim de sua casa quando encontrou uma moedinha. Ficou muito feliz!
Rapidamente, tomou um banho, colocou um vestidinho bem bonito, uma fita no cabelo e ficou na janela da sala de sua casa cantando assim:

     "Quem quer casar com a Dona Baratinha,
      que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha?"
     ogo, logo começaram a chegar os pretendentes.

O primeiro que passou foi o Senhor Boi, muito bem vestido.
Dona Baratinha perguntou então para ele:
      - Que barulho o senhor faz quando dorme? E ele respondeu:
     
- Quando eu durmo, o meu ronco é assim - MUUUUU...........
     
- Saia já daqui! O Senhor me assusta com todo esse barulho!
      Dona Baratinha voltou para sua janela, cantando a mesma canção.
     
"Quem quer casar com a Dona Baratinha que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha?"
      Um tempo depois passou um jumento todo arrumadinho e falante, dizendo:
      
- Eu serei o marido ideal para a Senhora.


         quando o senhor dorme, como é o barulho que o senhor faz?
       - Eu faço assim - Ióh..Ioh...Ióh...Ióhooooooo.........
        Assustada Dona Baratinha mandou que ele saísse e nunca mais passasse por lá para assustá-la novamente.

       Depois de algum tempo,já desanimada, Dona Baratinha recebeu uma visita inesperada. Era o Senhor Ratão, muito falante e animado:

       - Senhora Baratinha, estou muito apaixonado pela senhora e pretendo me casar logo, logo.
A senhora aceita?
       Mais uma vez,Dona Baratinha perguntou:
      - "Como o senhor faz para dormir?"
       Senhor Ratão disse:
       
- Eu sou muito discreto em tudo que faço.

Até para dormir, meu ronquinho é muito baixinho e dificilmente eu ronco!
É assim:
- iiiihhhhiiiiihhhhhh.......

      
- Que maravilha! disse Dona Baratinha! Esse barulho não me assusta, até parece uma suave melodia. Com você eu quero me casar e tenho certeza que seremos felizes para sempre!!!!

     Logo foram marcando a data do casamento e preparando a festa.
    

Dona Baratinha pediu para suas amigas Abelhas, Formigas e Borboletas prepararem uma gostosa feijoada, sucos de diferentes frutas e muitos doces!   
    



No dia marcado, a noiva já estava esperando na igreja toda preocupada, porque todos os convidados estavam lá também, só faltava o querido noivo.  

    
Corre daqui, pergunta dali e nada! Ninguém sabia do paradeiro do distinto cavalheiro.O que será que tinha acontecido com ele? Todos se perguntavam....
    


Acontece que Senhor Ratão era muito guloso.Não resistiu esperar pela surpresa da festa que a noiva havia lhe preparado. Então, aproveitando que todos já estavam na igreja ele foi até a casa das amigas de sua noiva onde tudo estava prontinho e arrumadinho e foi investigar os comes e bebes.
     
Quando sentiu o cheirinho apetitoso da feijoada, resolveu subir na panela e experimentar um pouquinho....
      Acontece que Senhor Ratão perdeu o equilíbrio e caiu na panela do feijão! Como não tinha ninguém em casa ele não se salvou, morreu afogado dentro da gostosa feijoada!!!
      uando soube do acontecido, Dona Baratinha triste ficou.
Voltou para sua casa e continuou a vidinha de sempre.